Ani Villa Dikwella

AW² é um escritório internacional de arquitetura e design de interiores chefiado por Réda Amalou e Stephanie Ledouk. Sócios, eles têm papel ativo no processo de design e estão pessoalmente envolvidos em todos os projetos

AW² é um escritório internacional de arquitetura e design de interiores chefiado por Réda Amalou e Stephanie Ledouk. Sócios, eles têm papel ativo no processo de design e estão pessoalmente envolvidos em todos os projetos que produzidos pela empresa. A companhia se esforça para alcançar designs inovadores e criativos e o trabalho tem obtido aclamação em todo o mundo com muitos prêmios e reconhecimento. A habilidade da AW² de trabalhar em diferentes países e culturas e em diferentes escalas— da construção à mobília— lhe dá visão única para desenvolver projetos premiados. Em 2012 e 2014 a AW² ganhou o prêmio mipim pelo melhor hotel e foi indicada duas vezes no AFEX (arquitetos franceses no exterior), o grande prêmio de arquitetura na França. Projetos internacionais são parte importante da AW², que trabalha em 25 diferentes países e desenvolve novos projetos por todo o mundo. Essa forte presença internacional levou o estabelecimento a uma parceria com um escritório de arquitetura na cidade de Ho Chi Minh, no Vietnã.

 

Desde então, a AW² permanece em perpétua evolução. A empresa vem se adaptando aos diferentes projetos que tiveram sucesso, um após o outro (residências, escolas, hotéis de luxo, hospitais…), na França e no exterior. “Viajamos mais e mais pelo mundo para onde nossos projetos nos levam. Tivemos que esquecer nossa experiência passada de modo a nos adaptarmos a novos caminhos do design, questionarmos nosso próprio entendimento das coisas de modo a expressar melhor nossa visão da arquitetura”, revela Réda Amalou. Complementado que “nossa abordagem da arquitetura é mais um processo aberto de trabalho do que uma estrutura teórica ou estilística estrita pela qual nos guiamos. Para nós, a arquitetura é mais ‘como’ que ‘o que’. Há provavelmente muitas razões para isso, mas as duas mais importantes têm a ver com nosso histórico passado. A primeira é que nos confrontamos com muitas culturas diferentes e temos trabalhado em mais de 25 países nos últimos 18 anos. A segunda é a nossa habilidade de abordar projetos em escalas diferentes: fazemos o design de grandes edifícios, interiores e mobília. Esses simples fatos nos têm feito desenvolver um método baseado na compreensão do contexto, analisando as condições existentes, definindo a estratégia e inventando o projeto. A ideia se torna central ao nosso processo de trabalho; é alimentada e desenvolvida no design em todos os estágios e escalas. O que nos permite dar direção forte — ou significado — aos nossos designs e desenvolver um idioma formal único a cada projeto. Nunca é uma declaração estilística preestabelecida”.

 

“Iniciar um projeto na AW²é sobre questionamento. É sobre definir as condições que rodeiam o projeto e sobre estabelecer as ambições para o projeto. Nós desafiamos as condições e as ambições nos estágios iniciais do nosso trabalho a fim de evitar preconceitos e nos dar um entendimento mais profundo do que estamos tentando alcançar”, explica Stephanie Ledouk.

 

O LUGAR E O DESIGN

“A primeira coisa que o atinge quando se visita o local pela primeira vez em Ani Villa Dikwella é a beleza e o drama do território. Você chega no topo, onde os 4,5 hectares de terreno inclinam-se sob seus pés até uma borda com folhagem densa nove metros acima do mar e praia abaixo. A área e a topografia foram, desde o início, uma influência importante no design. Tivemos de fazer a localidade funcionar com escarpas agudas mantendo um impacto baixo na paisagem e nos jardins. O projeto se organiza em uma série de aglomerados. Cada um é feito de pavilhões separados. Os aglomerados são ligados a uma série de rampas por meio do ponto que liga todas as partes à Villa. As rampas e os aglomerados são todos ladeados por paredes de arrimo feitas de pedras escuras. Elas criam uma geometria de paredes dentro da paisagem, cortando pela vegetação, criando plataformas, contendo caminhos. A pedra está presente por todo o lugar”, esclarece Stephanie Ledouk complementando que “do pavilhão de recepção, no ponto mais alto do local, você pode abraçar a vista até o oceano e ver todo o lugar abaixo. Contudo, os aglomerados estão quase escondidos na paisagem e dentro da topografia, meio enterrados, com apenas os tetos cinza prateados aparecendo na vegetação”.

 

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As construções são projetadas como estruturas de armação de madeira autônomas. Apoiam-se delicadamente sobre as paredes de arrimo. Cada pavilhão tem um grande teto inclinado — em telhas de madeira de pau ferro — que protege e sombreia as paredes e janelas. As fachadas são projetadas em um ritmo estrito de painéis verticais, alternando pedra e janelas para os cômodos. As estruturas principais, que abrigam as áreas de habitação, são construídas em estruturas de armação de madeira de altura dupla, revestidas de persianas que permitem ventilação natural — evitando o ar condicionado nessas áreas — e criando um jogo rico de luz à noite. Os aglomerados são organizados para destacar o sentimento dentro/fora. São projetados para se estender para fora, para os terraços, pavilhões abertos, decks de piscinas, e piscinas. Tudo convida à vida ao ar livre, em frente ao oceano. A paisagem foi cuidadosamente colocada para prover um sentido de jardins tropicais exuberantes em algumas partes e criar espaços mais abertos com jardins estruturados – a linha de frangipani em frente à piscina – gramados e características “hardscape”, tais como as fontes em paredes e o caminho de água. As fontes são construídas como paredes de pedra largas, revestidas de placas de cerâmica recuperadas que formam uma parede de padrão intrincado sobre a qual a água escorre. As piscinas também são planejadas como áreas de vida ao ar livre onde você pode ficar, com natação à sombra, salas na água, camas para cochilos diurnos sombreadas, jantar na piscina…

 

“No todo o design integra sem costura a arquitetura e os espaços abertos. A arquitetura se abre para os espaços exteriores. A paisagem não é concebida como um gramado da frente, mas sim uma extensão dos espaços arquiteturais. Esse tecido intrincado de dentro e fora cria um sentido forte de lugar para o hóspede, pois cada parte do edifício ou pavilhão oferece um aspecto de ar livre: vista para o mar, lagos, fontes, caminhos, terraços, piscinas de mergulho… Os elementos tropicais estão sempre presentes. Estão aqui como resposta ao clima, mas não só isso. Escolhemos usar esses có-digos — terraços grandes, armação de madeira e ventilação natural — e definir a nossa própria linguagem mais contemporânea”, exemplifica Réda Amalou, revelando que “também fizemos o design dos interiores, onde estendemos a mesma ideia: criar um senso de lugar, usar o local para reinventar nossa própria mobí-lia. A maior parte da mobília na Ani Villa foi de design feito para o projeto, dando-lhe sentido único. A ‘Lanka chair’ foi desenvolvida para o projeto. É provavelmente a mobília mais icônica de design lá. Os materiais que usamos para os interiores são uma extensão direta dos materiais arquiteturais, com materiais muito simples, cores naturais — marrom, cinza, bege — e texturas fortes —. pedras ásperas, granito flameado, mosaicos suaves. O que de novo reforça a coerência que tentamos atingir no nosso design”. “Além de ter sido pedido um design de propriedade único na Ani Villa, pediram-nos para fazer os edifícios e a paisagem totalmente acessíveis para uso de cadeira de rodas. O desafio residiu nos desníveis acentuados do terreno existente, a arquitetura ‘pavilhão’ com acessos para fora em diferentes níveis e também em tentar fazer isso sem costuras. Os quartos são os mesmos, o equipamento é o mesmo para todos. Desse modo, a experiência é a mesma, apagando as diferenças”, esclarece Stephanie Ledouk.

 
Arquitetura por Humberto Rodrigues | Matéria publicada na edição 89 da Revista Versatille