“Como Nossos Pais”: o que esperar do grande vencedor de Gramado

Grande nome do Festival de Cinema, filme conta com performances marcantes de Maria Ribeiro e Paulo Vilhena

O grande vencedor do recém terminado 45° Festival de Cinema de Gramado, Como Nossos Pais, de Laiz Bodanzky, chega às telas do país nessa quinta-feira. Agraciado durante a semana do evento na serra gaúcha muito se discutiu sobre as possibilidades dos nominados aos troféus Kikito. A obra de Bodanzky estava sempre presente. Concorrentes fortes de outras produções para vigorosas atuações de dramaturgia ou tácnicas em diversas categorias de “Como nossos…”.

 

A protagonista Maria Ribeiro já despontou na exibição ocorrida no segundo dia da competição. É um filme para Maria, diziam muitos. Afinal, um cinema falado de discussões familiares e de comportamento, que se bem feito é fascinante. Lembra Woody Allen? Lembra! Maria é apaixonada por Allen (e, conseqüentemente, por Domingos de Oliveira – com quem já trabalhou), assim como esse que vos escreve (tanto que no dia de exibição fui com uma camiseta com a estampa do diretor nova-iorquino em um agrado a ela).

 

 

Maria está de ponta a ponta no papel da filha em conflito com a mãe, que tem que lidar com os problemas familiares, do casamento, cuidar dos filhos e a tentativa de resolver a sua carreira de dramaturga. Em nenhum momento é usado o batido termo ”empoderamento”. O filme de Laiz traz um discurso maior, melhor elaborado. Consistente. É a mulher dita moderna e com seus anseios. Vemos isso nas tramas de autores contemporâneos já há algumas décadas. Sem problemas. Sem alardes. Sem virar tema exaustivo para programas de comportamentos matutinos.

 
Da mãe, a revelação que muda a trama. Clarice Abujamra dá o texto com maestria em um deleite para o expectador. Não resta dúvida em relação à naturalidade de uma grande atriz. Um filme que emociona de maneira direta e de modo criativo. Exemplos? O personagem da mãe tocando Como Nossos Pais no piano, e a cena da filha com os netos molhando suas plantas.

 

Paulo Vilhena pode deixar de ser o Paulinho que o relacionava a papéis muito jovens e inconseqüentes. O ator cresceu e ganhou o Kikito. Jorge Mautner sempre foi um eterno jovem e delirante – no melhor sentido – músico. Sem nenhuma dúvida poderia ter sido o melhor ator coadjuvante, mas nada a reclamar por ter sido escolhido Marco Ricca, impecável no excelente As Duas Irenes, de Fábio Meira. De tudo isso, Laíz ainda recebeu a Melhor Direção e Melhor Filme.

 

Foram muitos os Kikitos que durante a madrugada dançaram no bar do Hotel Serra Azul.

 

*por Ranieri Maia Rizza, de Gramado