Férias: Paraíso ou Punição?

O atual período no país coincide as férias de verão com a possibilidade de muitos brasileiros saírem da sua rotina de trabalho para curtir momentos supostamente prazerosos

O atual período no país coincide as férias de verão com a possibilidade de muitos brasileiros saírem da sua rotina de trabalho para curtir momentos supostamente prazerosos e ociosos com a família – de preferencia num lugar próximo ao mar e/ou de qualquer forma de beleza natural.

 

Arrumam-se as malas, revisam-se os veículos, junta-se o que der de recursos e bugigangas apropriadas e parte-se rumo ao momento tão sonhado: a viagem de férias.

 

Só que, como costuma ser, o sonho é uma coisa e a realidade é outra. A viagem nem começa e alguém esqueceu alguma coisa que vai dar problema. Ou é aquele item do vestuário, aquela ferramenta, aquele pad, ou o carregador da porcaria do celular. Não importa.

 

Pode até ser coisa ainda mais grave: esqueceram a chave da casa da praia. A luz ficou acessa na casa da cidade. Não deixaram acesso para o zelador molhar as plantas. E o cachorro. Cadê o cachorro? Ufa, ele esta atrás da sogra, perto do porta malas.

 

Ao chegar, estabelece-se uma rotina. Ué, as férias não eram para fugir de rotinas? Pobre infeliz, vá sonhando. Agora tem rotina, sim. Tem que sair com o cachorro, trazer os remédios da sogra, buscar o pão, ir ao supermercado a toda hora, colocar as bebidas na geladeira, passar o protetor solar e o repelente, irrigar o gramado, ligar, desligar, buscar, levar, montar e desmontar.

 

Enfim, a praia. Agora vamos relaxar. Relaxar? E a barraca? O guarda-sol? As cadeiras? O lanche? As bebidas? Quem cuida das crianças? Quem faz castelinho de areia? Quem fica torrando enquanto a criança pula a ondinha?

 

Pelo menos, após um bom almoço, quem sabe uma sesta? Sesta? Está maluco? Você vive num condomínio, não percebeu? A turma ao lado ouve música em alto volume. Música não, ruído rítmico. Nem com tapa ouvidos dá para aguentar.

 

E a noite chega, e com ela os mosquitos que não têm qualquer respeito pelos repelentes que você teima em usar. O calor é abafante. As pessoas estão cansadas e estressadas. As crianças indóceis porque têm poucas opções do que fazer. O cão não para de pedir guloseimas. A sogra ronca e baba na sua poltrona favorita. Aí você decide: “ano que vem não volto mais para cá. Nunca mais passo por esta tortura!”. Mas não foi isso que você jurou no ano passado? E no ano anterior? E antes desse?

 

Quando você acha que tudo esta perdido, vem o Carnaval e depois dele, a volta ao trabalho. Enfim, você vai poder disfrutar do inigualável prazer de cumprir sua rotina normal, fazer as coisas que sempre fez, de forma organizada e previsível. Ganhar uma boa grana para, quem sabe, no próximo verão, voltar para este inferno de praia…

 

Carpe diem

 

Dr. Nelson Spritzer