Joias de família: Amsterdam Sauer | Stephanie Wenk

VERSATILLE REUNIU TRÊS IMPORTANTES NOMES DA JOALHERIA BRASILEIRA — AMSTERDAM SAUER (STEPHANIE WENK), CARLA AMORIM E SILVIA FURMANOVICH — PARA UM ENSAIO FOTOGRÁFICO COM O RETRATISTA MARCIO SCAVONE, EM SEU ESTÚDIO, EM SÃO PAULO.   OS DEPOIMENTOS

VERSATILLE REUNIU TRÊS IMPORTANTES NOMES DA JOALHERIA BRASILEIRA — AMSTERDAM SAUER (STEPHANIE WENK), CARLA AMORIM E SILVIA FURMANOVICH — PARA UM ENSAIO FOTOGRÁFICO COM O RETRATISTA MARCIO SCAVONE, EM SEU ESTÚDIO, EM SÃO PAULO.

 

OS DEPOIMENTOS SOBRE A HISTÓRIA E TRAJETÓRIA DE CADA MARCA FORAM GARIMPADOS PELO REPÓRTER REYNALDO ESPÍNDOLA JR. O RESULTADO DESSE ENCONTRO FOI A SOMA DE BELAS IMAGENS COM AS ENTREVISTAS CONCEDIDAS PELA DIRETORA DE CRIAÇÃO DA AMSTERDAM SAUER, STEPHANIE WENK, E PELAS DESIGNERS DE JOIAS CARLA AMORIM E SILVIA FURMANOVICH.

 

PARA PUBLICAR NO PORTAL VERSATILLE, DIVIDIREMOS AS ENTREVISTAS EM TRÊS PARTES SEPARADAS.
CONFIRA HOJE A ENTREVISTA DE STEPHANIE WENK!

 

STEPHANIE WENK | NAS PEDRAS PRECIOSAS, ELA REVELA INSPIRAÇÃO E TALENTO

A carioca Stephanie Wenk, 31 anos, frequentou a Escola Suíço-Brasileira Rio de Janeiro e também chegou a cursar três anos de Psicologia, na PUC do Rio, mas resolveu mudar de rumo. Primeiro foi trabalhar como designer da Schutz Calçados.

 

Ela diz ter herdado a elegância e o gosto por sapatos do pai, Axel Schultz-Wenk, “ele sempre me incentivou a ser bem vestida e elegante”. Depois foi para a Amsterdam Sauer. Desde 2013, é a poderosa diretora de criação dessa tradicional joalheria, que tem como diferencial o controle completo do ciclo produtivo, desde a mineração, a lapidação e o polimento da pedra preciosa até a confecção.

 

O interesse pela arte Stephanie herdou da mãe, a argentina Marina Sauer. O amor pelas joias também está ligado à família: veio com o padrasto Daniel Sauer, filho do francês Jules Roger Sauer, lenda viva na história da joalheria brasileira.

 

Pesquisador, minerador e lapidador, Jules morreu em fevereiro deste ano, com 95 anos. Ele fundou a Amsterdam Sauer, em 1941, e foi o pioneiro na prospecção e na divulgação das esmeraldas brasileiras. Desde 1989, a Amsterdam Sauer mantém, no Rio de Janeiro, um museu de pedras preciosas e minerais raros. Atualmente, a rede conta com várias lojas espalhadas pelo Brasil e tem representantes em grandes cidades do mundo.

 

“Sempre penso o que aquela pedra quer ser, o que ela fala comigo, e qual a melhor maneira de enaltecer sua beleza”, diz a designer. Aprecie agora um pouco mais do encanto da diretora criativa, Stephanie Wenk.

 

joias stephanie wenk

 

VERSATILLE — O que fez você deixar a faculdade de Psicologia e seguir a carreira de designer?

STEPHANIE WENK —A paixão pela moda falou mais alto. Quando ainda estava na faculdade, comecei a fazer roupas com a minha irmã, Alexia Wenk, e uma amiga, Julia Monteiro de Carvalho. Pouco tempo depois, o Ricardo Brautigam, da Auslander, me chamou para trabalhar com ele. Foi quando tranquei a faculdade e pouco tempo depois estava fazendo desfiles para o Fashion Rio. Fiz três desfiles.

 

VERSATILLE — Você teve alguma influência da sua família na decisão de trabalhar com joias? Qual a importância da sua mãe e do seu padrasto?

STEPHANIE — Em casa sempre conversávamos muito, trocávamos referências. Eu vivia dando meus pitacos sobre o que achava que devia ser feito. A minha entrada se deu de uma maneira orgânica e, aos poucos, fui conquistando meu espaço como qualquer pessoa. Não entrei como diretora criativa, tendo a liberdade que tenho hoje.

 

VERSATILLE — Você é diretora criativa de uma marca que é vista como referência mundial no segmento de joias. Qual é o peso dessa responsabilidade?

STEPHANIE — Eu me cobro bastante e sinto pressão, às vezes, por coisas menos importantes que estou fazendo, mas também não piro. O importante é arregaçar as mangas e fazer as coisas acontecerem. Trabalho com um bom time tanto no design quanto no marketing. Ninguém faz nada sozinho.

 

VERSATILLE — Qual é o maior desafio para ter o reconhecimento entre seus concorrentes?

STEPHANIE — Aliar a tradição à inovação. Conquistar novos clientes sem perder os antigos. Acho que estamos fazendo um bom trabalho, mas ainda temos muito pela frente.

 

VERSATILLE — A Amsterdam Sauer é a única joalheria do país que tem o controle completo do ciclo produtivo, desde a mineração da pedra. Você acompanha todo esse processo?

STEPHANIE — Sim, eu acompanho todos os passos: começo, meio e fim. Isso ajuda a ter uma visão 360 graus da joia, que material casa com outro material; quais pedras se valorizam, se combinadas a determinados formatos. É um processo muito rico, detalhado, demorado, prazeroso, e que resulta em joias one of a kind, em muitos casos.

 

VERSATILLE — Como você busca inspiração e ideias nas suas criações?

STEPHANIE — Cada coleção começa de uma maneira diferente. O desejo de um tema pode vir de uma viagem, de um livro, de um filme ou de uma conversa. Eu busco sempre estar cercada de coisas que me inspirem. Vou a museus, a vernissages, vejo filmes, escuto músicas, vejo revistas… Mas, é claro, quando estou trabalhando em um tema específico me debruço mais sobre ele.

 

VERSATILLE — Quando você imagina uma joia, você pensa, primeiro, na pedra ou no conceito?

STEPHANIE — Depende, muitas vezes, da pedra. Quando são pedras importantes, sempre penso o que aquela pedra quer ser, o que ela fala comigo, e qual a melhor maneira de enaltecer sua beleza. Claro que certos formatos são mais propícios a virar um brinco ou um anel. Algumas pedras são mais delicadas que outras. Muitas vezes misturo pedras caras com menos caras. Acho que isso também quebra a seriedade da joia e fica muito chique.

 

VERSATILLE — A Tribes, por exemplo, coleção lançada no ano passado, foi inspirada nos adornos, costumes e na arquitetura de tribos ao redor do mundo, e deve ter exigido muita pesquisa. Como foi esse processo?

STEPHANIE — Tenho uma equipe de duas pessoas na criação. O processo de pesquisa é intenso e dura sempre menos do que a gente gostaria, até porque é uma delícia. A gente leu bastante, viu muitas referências, trocou muita informação.

 

VERSATILLE — Quais as pedras que você mais gosta de trabalhar e por quê?

STEPHANIE — Esmeralda, opala e diamantes são minhas pedras preferidas de trabalhar. A esmeralda é uma pedra fascinante, a mais chique de todas. Geologicamente, uma pedra muito complexa e difícil de ser formada, muito mais que um diamante, por exemplo. Uma das pedras mais antigas do mundo e a preferida de muitos reis e rainhas. É o verde mais lindo da natureza; posso ficar horas contemplando a beleza e a profundidade de uma esmeralda.

 

VERSATILLE — O que você mais gosta de fazer quando não está trabalhando?

STEPHANIE — Viajar. Nada no mundo me deixa mais feliz que estar conhecendo uma nova cultura com uma boa companhia.

 

VERSATILLE — Como é seu dia a dia? Como você lida com o estresse?

STEPHANIE — É corrido e estou sempre fazendo mil coisas ao mesmo tempo. Mas sempre tenho tempo para os amigos queridos, também. Eu tento fazer algum exercício e amo sair para dançar. É a minha terapia.

 

VERSATILLE — Que dica você daria para uma pessoa leiga que quer comprar uma boa joia?

STEPHANIE — Escolha com o coração. A joia tem que lhe emocionar, em primeiro lugar. Sempre procurar pessoas que entendem e sabem o que estão vendendo. Tem muita gente por aí vendendo joias que nem joalheiros são. Comprar de joalheiros respeitados e reconhecidos no mercado é sempre mais indicado para evitar uma frustração futura.

 

VERSATILLE — Qual foi o seu momento mágico como designer?

STEPHANIE — Foi o jantar de apresentação da Coleção Underwater, em Paris, com todos os jornalistas que eu mais admiro e designers tecendo mil elogios às criações. Valentino, Suzy Menkes, Hamish Bowles, Giambatista Valli, Franca Sozzani, Mario Testino… Só pessoas que eu admiro muito, e elogiando o meu trabalho. Foi muito gratificante e faz tudo valer a pena.

 

VERSATILLE — Que joia você faria para representar o atual cenário em que o Brasil se encontra?

STEPHANIE — Alguma coisa com uma esmeralda representando a esperança.

 

PARA PUBLICAR NO PORTAL VERSATILLE, DIVIDIREMOS AS ENTREVISTAS EM TRÊS PARTES SEPARADAS.
A PRIMEIRA ENTREVISTA É COM STEPHANIE WENK | CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA
A SEGUNDA ENTREVISTA É COM CARLA AMORIM | CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA
A TERCEIRA ENTREVISTA É COM SILVIA FURMANOVICH | CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA

 

ESPECIAL JÓIAS por Reynaldo Espíndola Jr fotografia Marcio Scavone | Matéria publicada na edição 97 da Revista Versatille