Joias de família: Carla Amorim

VERSATILLE REUNIU TRÊS IMPORTANTES NOMES DA JOALHERIA BRASILEIRA — AMSTERDAM SAUER (STEPHANIE WENK), CARLA AMORIM E SILVIA FURMANOVICH — PARA UM ENSAIO FOTOGRÁFICO COM O RETRATISTA MARCIO SCAVONE, EM SEU ESTÚDIO, EM SÃO PAULO.   OS DEPOIMENTOS

VERSATILLE REUNIU TRÊS IMPORTANTES NOMES DA JOALHERIA BRASILEIRA — AMSTERDAM SAUER (STEPHANIE WENK), CARLA AMORIM E SILVIA FURMANOVICH — PARA UM ENSAIO FOTOGRÁFICO COM O RETRATISTA MARCIO SCAVONE, EM SEU ESTÚDIO, EM SÃO PAULO.

 

OS DEPOIMENTOS SOBRE A HISTÓRIA E TRAJETÓRIA DE CADA MARCA FORAM GARIMPADOS PELO REPÓRTER REYNALDO ESPÍNDOLA JR. O RESULTADO DESSE ENCONTRO FOI A SOMA DE BELAS IMAGENS COM AS ENTREVISTAS CONCEDIDAS PELA DIRETORA DE CRIAÇÃO DA AMSTERDAM SAUER, STEPHANIE WENK, E PELAS DESIGNERS DE JOIAS CARLA AMORIM E SILVIA FURMANOVICH.

 

PARA PUBLICAR NO PORTAL VERSATILLE, DIVIDIREMOS AS ENTREVISTAS EM TRÊS PARTES SEPARADAS.
CONFIRA HOJE A ENTREVISTA COM CARLA AMORIM!

 

CARLA AMORIM | A PREFERIDA DE UMA CLIENTELA EXIGENTE E ESTRELADA

A brasiliense Carla Amorim, 52 anos, entrou cedo para o mundo das joias, criava as próprias peças como hobby e vendia para os amigos. “Tive apoio da minha família, mas influência, não, porque nunca ninguém, na minha família, trabalhou com joias”, diz Carla. Hoje, ela é uma das mais badaladas designers de joias do país e uma empresária de sucesso: tem seis lojas no Brasil e planos para abrir uma em Nova York, nos Estados Unidos.

 

Com a expansão dos negócios, em 1996, Carla Amorim convidou a irmã Kelly Amorim, formada em Administração, para assumir a presidência da empresa. Na época, Kelly cuidava de outro empreendimento da família, a Só Frango. “Precisava de tempo e calma para criar minhas peças”, explica Carla. Sua grife seduziu estrelas como Fernanda Lima, Sandra Bullock, Lupita Nyong’o e, até, Michelle Obama, ex-primeira-dama dos EUA.

 

A religiosidade, a arquitetura, com linhas de Oscar Niemeyer, e a natureza são os temas centrais do seu trabalho. Autodidata, ela, depois, aprimorou sua técnica em um curso de ourivesaria É casada e tem dois filhos gêmeos. Confira a seguir um pouco mais deste bate-papo precioso com Carla Amorim.

 

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VERSATILLE — O que fez você decidir entrar para o mundo das joias? Teve alguma influência familiar?

CARLA AMORIM — Nunca imaginei que iria entrar para o mundo das joias, mas, um dia, em oração, tive o discernimento de que o meu dom era o de criar joias; esse era o meu caminho e fui. No começo, vendia nas casas e no trabalho das pessoas. Depois, passei a vender na minha casa para poder atender a mais de uma pessoa ao mesmo tempo, otimizando, assim, o meu trabalho. Após dois anos dessa maneira, abri uma primeira loja, e, assim, fui crescendo. Tive apoio da minha família, mas influência não, porque nunca ninguém, na minha família, trabalhou com joias.

 

VERSATILLE — Com a parceria da irmã Kelly, Carla Amorim espalhou a própria grife em diversas vitrines de multimarcas do mundo, como a Barney’s, em Los Angeles, a Bergdorf Goodman, em Nova York, e a Le Bon Marché, em Paris. Qual é a importância da sua irmã na empresa e na sua vida?

CARLA — Ela não estava feliz no trabalho que estava fazendo. Como se formou em Administração, eu a convidei para administrar a empresa e se tornar sócia. Achei que seria bom para ela e pra mim. Meu objetivo era poder dedicar-me, exclusivamente, à parte que mais gosto: a criação.

 

VERSATILLE — Por que você elegeu a natureza, a arquitetura de Brasília, com as linhas de Oscar Niemeyer, e a religiosidade como o tripé do seu trabalho?

CARLA — Aconteceu de maneira muito natural. Eu nasci em Brasília, logo cresci observando e admirando as obras de Niemayer. Seus traços e suas curvas sempre estiveram presentes no meu dia a dia. A natureza, para mim, sempre foi a maior fonte de inspiração. Quanto à minha religiosidade, à minha ligação com Deus e à minha busca diária de uma intimidade ainda maior com Ele; entrelaça todas as realidades da minha vida, e uma delas é o meu trabalho. Seria impossível para mim não ter a religiosidade nas minhas criações.

 

VERSATILLE — Você passou por alguma experiência especial que lhe trouxe tanta fé em Deus?

CARLA — Nasci em uma família católica. Fiz a primeira comunhão, participava das missas e tudo o que fosse relacionado a isso. Mas vejo que na infância, a minha fé era de uma maneira mais superficial. Na adolescência, tive uma experiência de dor, que foi a depressão. Foi muito difícil para mim essa realidade, mas, ao mesmo tempo, foi muito bom. Porque através dela tive uma experiência profunda e íntima com Deus.

 

VERSATILLE — Você tem algum ritual antes de começar a desenhar suas peças para atingir o efeito desejado no seu processo criativo? É verdade que você costuma trabalhar mais na madrugada e com um rosário?

CARLA — Eu não diria que tenho um ritual, mas procuro sempre o silêncio, principalmente o silêncio da noite. Faço minhas orações nesse horário, por isso o rosário está presente. Meu processo criativo sempre se materializou mais nas madrugadas. Acredito que seja pelo absoluto silêncio, que sempre gostei. Mas as ideias acontecem a qualquer momento do dia. Sou muito observadora, e já aconteceu de me inspirar a partir de um buraco na parede ou de bolhas no teto da sauna.

 

VERSATILLE — Quando não está trabalhando, o que você gosta de fazer? Pratica algum esporte para ajudar a lidar com o estresse do dia a dia?

CARLA — Gosto muito de ver filmes, conversar. Não pratico esportes, mas faço exercícios três vezes por semana. Quanto ao estresse, é uma luta diária, tento combatê-lo com essa busca do equilíbrio, o pessoal e o profissional. No meu dia a dia, não tenho muita rotina, pois vou a São Paulo quase toda semana. Sinto que tenho, a meu favor, a vantagem de ser uma pessoa que, na maioria do tempo, tem um temperamento mais tranquilo, mais calmo.

 

VERSATILLE — No ano passado, você lançou sua primeira coleção de joias para homens. Uma linha inspirada no homem das grandes metrópoles. Anéis, colares e pulseiras trazem texturas que representam uma visão aérea das cidades. O que a levou a isso?

CARLA — Penso que fui influenciada pelo universo masculino muito próximo de mim, que é o meu marido e meus filhos.

 

VERSATILLE — Quais as pedras que você gosta mais de trabalhar?

CARLA — Eu gosto de todas. Mas tem épocas que me encanto mais com umas; tem épocas, com outras. Mas sou apaixonada por diamantes. Eu não vou negar.

 

VERSATILLE — Qual o seu momento mágico no seu trabalho?

CARLA — O momento que a joia fica pronta.

 

VERSATILLE — Que joia você faria para representar o atual cenário em que o Brasil se encontra?

CARLA — Hum…! Uma joia que representasse a esperança.

 

PARA PUBLICAR NO PORTAL VERSATILLE, DIVIDIREMOS AS ENTREVISTAS EM TRÊS PARTES SEPARADAS.
A PRIMEIRA ENTREVISTA É COM STEPHANIE WENK | CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA
A SEGUNDA ENTREVISTA É COM CARLA AMORIM | CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA
A TERCEIRA ENTREVISTA É COM SILVIA FURMANOVICH | CLIQUE AQUI PARA VER A MATÉRIA

 

ESPECIAL JÓIAS por Reynaldo Espíndola Jr fotografia Marcio Scavone | Matéria publicada na edição 97 da Revista Versatille