Liderança é marca forte. Não infalível

O conceito de liderança, cada vez mais, tem se vinculado ao critério de perfeição como condição de sucesso. O glamour no mundo dos negócios, associado ao conceito de alta performance, tem feito que muitos líderes,

 

A infalibilidade do líder é a sua maior vulnerabilidade

 

O conceito de liderança, cada vez mais, tem se vinculado ao critério de perfeição como condição de sucesso. O glamour no mundo dos negócios, associado ao conceito de alta performance, tem feito que muitos líderes, na ânsia de mostrarem-se extraordinários pela necessidade de ser percebidos por uma lente diferenciada, criem personagens perfeitos para angariar reconhecimento. Títulos, chancelas, pompas e regalias de um mundo que, na expressão de perfeito, convoca o irreal e alimenta o mito da perfeição idealizada.

 

Lideranças bem-sucedidas, desempenhos acima da média, relações perfeitas e resultados excepcionais. Nenhum registro de insucesso. Tudo sempre em viés de alta. Muitos, conectados a máscaras sociais com discursos politicamente corretos, projetam uma imagem de infalíveis e fogem ao requisito de ser, antes de aparecer, distanciando-se do que lhes permite ser autêntico, verdadeiro. Excelência, sim. Perfeição, não.

 

Profissionais incríveis, equivocadamente, subestimam o benefício das falhas no autodesenvolvimento e no desenvolvimento dos seus. Todas as vivências têm um propósito maior. Se as experiências bem-sucedidas oferecem aprendizado, as malsucedidas, vivenciadas em cenários de riscos e incertezas, além do aprendizado, o incremento da maturidade. Mas, poucos, conscientes da importância do erro como insumo essencial à construção do caráter do líder, transparecem uma perspectiva honesta sobre a realidade da vida. Afinal, falamos de líderes ou super-homens?

 

Considerando que, na condição humana não existe perfeição, aparentar ser perfeito foge ao que confere ao indivíduo o direito de ser humano, comprometendo o sentido do que é real. Não é sobre ser o melhor, mas, na busca da excelência, reconhecendo os pontos fortes e as necessidades de melhoria, exercer o seu melhor. As pessoas não precisam de líderes perfeitos, mas, humanos. Se equívocos e imperfeições também constituem o profissional, por que então omiti-los?

 

Conduta transparente transmite credibilidade e gera engajamento. Um gestor de pessoas, antes de tudo, deve estar apto a dar o exemplo com base em quem ele, de fato, é, na consideração do que sabe e, também, do que desconhece. Excessos revelam falta.

 

A infalibilidade do líder é a sua maior vulnerabilidade. O anseio em querer ser melhor do que realmente é compromete a autenticidade da marca pessoal do líder e o distancia da responsabilidade de se tornar referência para aqueles a quem lidera.

 

Quando o esforço do líder está em aparentar ser infalível, o sentido de liderar pelo exemplo é sacrificado, pois, mais do que de estereótipos perfeitos, as equipes precisam de um referencial de liderança autêntico para seguir. Assim, como respostas prontas não convencem, líderes perfeitos pouco acrescentam, pois não geram conexão.

 

É honesto ser verdadeiro e compreender que marca forte não é sinônimo de infalibilidade. A humildade do líder em compartilhar receios, assumir falhas e reconhecer não saber, além de torná-lo mais acessível o liberta do peso de ser infalível. Aqueles que superaram batalhas bendizem seus erros e honram suas cicatrizes.

 

Coaching por Waleska Farias Coach, Consultora de Carreira e Imagem | Matéria publicada na edição 105 da Revista Versatille