O consumismo pode gerar depressão?

O nosso cotidiano nos impõem uma sociedade altamente consumista. O apelo forte nos meios de comunicação, nas ruas, entre os amigos, enfim, tudo parece “direcionado” para que tenhamos o melhor carro, as melhores roupas, etc.

O nosso cotidiano nos impõem uma sociedade altamente consumista. O apelo forte nos meios de comunicação, nas ruas, entre os amigos, enfim, tudo parece “direcionado” para que tenhamos o melhor carro, as melhores roupas, etc. O apelo cruel acaba por provocar, muitas vezes, frustração e insatisfação, que podem evoluir para doenças, como a depressão, alertam especialistas. Como detectar isso a tempo e o que fazer para reverter a sensação de insatisfação quando não conseguimos comprar ou ter o que os “outros” dizem que devemos ter?

 

É preciso entender que o desejo de ter é muito importante para a motivação. Provavelmente não nos dedicaríamos tanto ao trabalho se não tivéssemos desejos de consumo. Isso não é inerentemente ruim. O problema é que a maioria das pessoas se frustra e se decepciona porque coloca toda a sua energia, todo o seu desejo, no consumo. Desta forma, depois que consegue fica frustrado, e se não consegue fica pior ainda.

 

O desejo humano pode ser entendido em diversos níveis diferentes de amplitude e importância. Se você perguntar a alguém: “O que você quer? Há uma enorme chance de ela responder o que ela quer TER. Outras tantas podem responder o que elas querem FAZER. É importante notar que quem faz algo interessante tem mais chance de ter coisas interessantes, por isso, fazer é mais relevante. Poucas pessoas dirão o que elas querem SABER ou como elas querem ESTAR. Aqui residem desejos de maior hierarquia. Se você aprender algo atraente, pode fazer muitas coisas legais e com isso conseguir ter muita coisa que são realmente importantes.

 

Raras pessoas, diante da pergunta (o que você quer?) responderá o que elas querem CRER/ACREDITAR. É mais complexo, porém, é muito mais relevante. Quem acredita consegue saber e estar para fazer e ter. Muito poucos dirão quem eles querem SER (um desejo de identidade). Mais raro ainda é encontrar alguém que responda a que todo maior desejam PERTENCER. Note que se você alcançar um desejo de tal hierarquia e magnitude, não importa mais se tem ou não algo específico e a chance de se frustrar praticamente desaparece. Quando alguém pertence a um conjunto ao qual deseja (país, comunidade, grupo, família, …) e isso é tudo o que ela deseja, o resto é troco. Quando alguém consegue ser quem sempre sonhou, adeus frustração. Quando consegue alinhar suas crenças com tudo o que gostaria de crer, as portas da felicidade se abrem, e ai o resto é consequência.

 

Para concluir, um dia desses, atendia um importante empresário e ele me dizia que estava deprimido. Perguntei como ele sabia que estava deprimido. Ele me respondeu: “Acabo de comprar um jatinho novo para ir a Punta de Leste com a família e não estou achando a menor graça.”

 

De que vale ter se você não esta, não sabe, não crê, não é e muito menos pertence ao que deseja?

Carpe Diem

* Nelson Spritzer é médico e trainer em programação neurolinguística

 

Foto: Divulgação.