O valor do dote

As antigas tradições estão cada vez mais em desuso. Algumas para o nosso bem, outras nem tanto. Entre as que se vão em boa hora podemos citar a da virgindade antes do casamento (para ambos

As antigas tradições estão cada vez mais em desuso. Algumas para o nosso bem, outras nem tanto. Entre as que se vão em boa hora podemos citar a da virgindade antes do casamento (para ambos os sexos). É simplesmente abominável o medieval costume das pessoas só terem experiências depois de casadas. Qualquer coisa que não desse certo — algo altamente provável pela inexperiência de ambos — teria de ser silenciosamente aceita e eventualmente não corrigida nunca mais.

 

Outra lamentável tradição, que há muito terminou, foi o “pedir a mão” ao pai da noiva, pelo bravo pretendente. Ora, já não basta o medão que o pobre infeliz passa de assumir a responsabilidade de mudar seu status de solteiro para casado, assumindo um monte de cargas, ainda tem que passar por este colossal mico?

 

E eu nem estou mencionando um monte de tradições próprias de cada grupo religioso e cultural que beira o ridículo quando não é algo torturante e insólito tal como uma cerimônia de formatura de 120 alunos com cada um discursando cinco minutos (quase sempre as mesmas coisas) num dia de verão e sem ar condicionado.

 

Mas tem uma tradição que está terminando e poderia continuar: O dote. O dote é aquela condição que, se não me engano ainda existe na Índia e em outros lugares distantes, a família da noiva deve pagar, se possível, em espécie, ao noivo, pelo casamento. Isso me parece perfeito. Calma feministas de plantão, por favor leiam até o fim…

 

O dote é como uma compra. Como toda a compra, tem um preço que pode ser negociado entre as partes. Pode haver deveres por conta deste pagamento que de outra forma não existiriam. Uma família que paga um dote faz com que o noivo fique responsável por uma série de atributos e desempenhos sem os quais o negócio pode ser desfeito e o dote devolvido. Aliás como era antigamente quando se, por qualquer razão, o dito noivo não “consumasse” o casamento — verificado pelas manchas de sangue nos lençóis apos a noite de núpcias — a família da noiva poderia receber de volta o dote e desfazer o contrato do casamento, tudo muito justo e legal.

 

Perdeu-se, infelizmente, este tipo de cláusula contratual. Hoje, ninguém dá nada para ninguém. Apenas se juntam, formam “uniões estáveis” e depois, se der problema — e muitas vezes dá — o conflito esta armado. Quebra pau na certa, e então gastam — os dois lados — com advogados para conseguirem o bendito divórcio.

 

Ora o sistema antigo era mais simples, justo e barato. Um lado, o da noiva, dá o dote, exige desempenho, o outro lado, o do noivo, caso não atenda os requisitos, negócio desfeito. Devolve a noiva e o dote e fim de papo. Ninguém briga, não tem pensão pra ninguém. Me diga sinceramente, você não acha que deveríamos reconsiderar a volta do dote?

 

Carpediem por Nelson Spritzer, diretor da consultoria Dolphin Tech e especialista em neurolinguística | Matéria publicada na edição 05 da Revista Versatille