Phoebe Philo

Filha de ingleses, ela nasceu em Paris e foi criada em Londres. Ganhou a primeira máquina de costura ainda na adolescência e estudou na Central Saint Martins. Na faculdade já mostrava o lado minimalista. Os

Filha de ingleses, ela nasceu em Paris e foi criada em Londres. Ganhou a primeira máquina de costura ainda na adolescência e estudou na Central Saint Martins. Na faculdade já mostrava o lado minimalista. Os croquis lembravam as criações de Helmut Lang e Jill Sander. Foi colega de Stella McCartney, com quem trabalhou na Chloé. Entre 2001 a 2005 a grife teve êxito comercial, mas a estilista deixa o emprego para cuidar dos filhos. Em 2008, volta a trabalhar a convite da Céline, marca francesa fundada em 1945 por Céline Vipiana.

 

A princípio, fazia sapatos infantis sob medida. Nos anos 1960 a grife diversificou. Passou a fazer acessórios femininos e, em seguida, criou a linha de roupas femininas. As clientes eram as senhoras de fino trato dos bairros tradicionais de Paris. O slogan da grife era “moda para todos“. A marca, que primava pela qualidade, chamou a atenção do grupo LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy) que a arrematou em 1996. A Céline tem uma tradição no uso do couro. O material é recorrente nas coleções em função da história da casa na fabricação de artefatos do material.

 

Com a ajuda do artista Dan Graham, Phobe Philo fez do show de primavera Céline um reflexo lindo do poder do dia a dia, a nuance da natureza humana zumbindo por nós o tempo todo, e o papel que a moda tem em nos contar uma história.

 

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O cenário para o show da Céline foi um dos pavilhões Graham, uma estrutura de vidro bidirecional em forma de S – refletiva e transparente – posicionada no meio de um espaço aberto pelo qual as modelos desfilavam. O elenco de personalidades, cada garota projetando um estilo individual, ia e vinha de todas as direções com o caos gracioso de uma tarde excepcionalmente moderna e elegante na estação Grand Central.

 

”Interação social, fantasia e vida em geral são a principais forças que movem o meu trabalho”, disse Philo em notas publicadas depois do show. “A instalação de Dan Graham é, portanto, uma forma interessante e poderosa de apresentar minha coleção para a audiência.”

 

O show foi uma exposição esclarecedora da complexidade e percepção, parcialmente devido ao cenário, que ofereceu àqueles sentados no lugar certo auto-reflexão literal, mas, principalmente, por causa das roupas. Os costumes, atenciosamente criados por Philo, consideraram as circunstâncias, decisões e surpresas que guiam a vida diária de uma pessoa.

 

Roupas tradicionais vieram em proporções incomuns com ênfase na desconstrução, cores excêntricas e estilo contra-intuitivo. Por exemplo, um blazer clínico muito grande e calças combinando, com as bainhas enroladas casualmente, foram usadas sobre um top e calças esvoaçantes de estampa floral que se derramavam debaixo das calças brancas. Um grupo de vestidos-camisa antiquados — um branco, um azul e um a combinação chocante de verde e magenta fluorescente — pareciam uma camisa de homem na parte de cima com uma saia plissada de cintura baixa.

 

Não havia um look dominante para focar ou um modo fácil de descrever as peças. A costura era masculina e grande, mas havia também coisas obviamente femininas, especificamente vestidos brancos artisticamente sensuais. Um estilo com bordas sem acabamento e cintura espartilhada apresentava crochê preto que parecia teia de aranha sobre cada seio. Dois outros vestidos brancos tinham pintura azul abstrata anatômica sobre o torso. Havia vestidos de jérsei macios, drapeados e recolhidos que ondulavam no ar e roupas externas que pareciam rasgadas e cortadas.

 

Tudo era elevado aos padrões chique da Céline e de Philo, mas a mensagem não era sobre vida de luxo, mas, sim, sobre como levar a vida. O estilo emprestava um sen – so de realidade aleatória ao visual. Algumas das garotas usavam sacolas estruturadas escandalosamente grandes, ou sapatos misturados. Um espanto!

 

Se você encontrar alguém na rua usando uma bota amarela e outra marrom, certamente vai pensar: está fazendo uma declaração de moda excêntrica? Estava com pressa, distraída, ou se vestiu no escuro? Talvez seja meio louco., mas essa é a beleza e o defeito da condição humana.

 

Estilo por Humberto Rodrigues | Matéria publicada na edição 95 da Revista Versatille

 

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