Sagmeister & Walsh

EMPRESA DE DESIGN, COM BASE NA CIDADE DE NOVA YORK, QUE CRIA IDENTIDADES DE MARCA, COMERCIAIS, WEBSITES, APPS, FILMES, LIVROS E OBJETOS PARA OS CLIENTES E PARA ELA MESMA. ENFIM, UM ESTÚDIO DE SERVIÇO COMPLETO

Sagmeister e Walsh 02

EMPRESA DE DESIGN, COM BASE NA CIDADE DE NOVA YORK, QUE CRIA IDENTIDADES DE MARCA, COMERCIAIS, WEBSITES, APPS, FILMES, LIVROS E OBJETOS PARA OS CLIENTES E PARA ELA MESMA. ENFIM, UM ESTÚDIO DE SERVIÇO COMPLETO QUE ELABORA ESTRATÉGIAS E DESIGN EM TODAS AS PLATAFORMAS

 

Designer e diretor de arte, o austríaco Stefan Sagmeister trabalhou para os Rolling Stones, The Talking Heads, Lou Reed e The Guggenheim Museum, entre muitos outros. As exposições de seu trabalho têm sido montadas em Nova York, Filadélfia, Tóquio, Osaka, Seul, Paris, Lausanne, Zurique, Viena, Praga, Colônia e Berlim. Stefan codirigiu o documentário The Happy Film, que estreou, em abril, no Tribeca Film Festival.

 

Também designer e diretora de arte, a parceira Jessica Walsh traz no currículo trabalhos prestados para clientes como Jay-Z, Barneys, The New York Times, Levi’s e The Museum of Modern Art. As criações de Jessica têm ganhado prêmios importantes no universo do design e ela já recebeu inúmeras distinções, como a “Criativos Top 30 com menos de 30 Fazendo o Design do Futuro”, da Forbes Magazine. Seu livro 40 Days of Dating: An Experiment, lançado em janeiro de 2015 pela Abrams Book, está sendo transformado em filme. A dupla criativa falou a Versatille sobre o instigante mundo da criação.

 

VERSATILLE — Qual é a sua filosofia criativa?

JESSICA — Estou interessada em criar trabalhos emocionalmente engajados e conceitualmente dirigidos que sejam incorporados em belas formas. Sempre tento abordar o processo de um jeito divertido, com senso de humor. Quero que as pessoas que vêm o meu trabalho experimentem ou sintam alguma coisa, que ele as faça pensar, traga alegria ou ofereça inspiração. Sempre almejo criar trabalhos funcionais que alcancem os objetivos dos clientes.

 

VERSATILLE — Estamos mais liberados por essas mudanças na tecnologia?

STEFAN — Como seres humanos em geral, eu diria que sim. Eu acredito mesmo que vivemos no período mais interessante da História.

 

VERSATILLE — Você evita tendências?

JESSICA — Design e estilos que acompanham tendências podem funcionar se você está fazendo o design de algo temporário, como uma ilustração em uma revista ou um poster de vida curta. Contudo, a maior parte do tempo no nosso estúdio, procuramos criar trabalhos que possam ter vida longa e permanecerem relevantes por muito tempo, especialmente em relação a marcas. A identidade e a linguagem visual que criamos para nossos clientes devem permanecer atuais e relevantes mesmo depois de uma década.

 

VERSATILLE — Se o design gráfico funciona como uma linguagem visual, as tendências podem enriquecer o design?

STEFAN — Sim, é claro. Muito do que produzimos é efêmero e tem que pertencer ao seu tempo. Se eu vejo uma revista dos anos 1960 agora, vou encontrá-la recheada pelo estilo do seu tempo. O mesmo é, obviamente, verdadeiro para o trabalho atual.

 

VERSATILLE — Onde você encontra inspiração?

JESSICA — Acredito que a criatividade é fazer conexões interessantes entre coisas que já existem. Acho que a inspiração para fazer essas conexões podem vir de qualquer coisa que experimentamos como seres humanos: nossas conversas, viagens, nossos sonhos, arte, um grande livro de psicologia, nossa vida amorosa, etc. Tento não olhar para nossos próprios campos business de design para inspiração. É ali que você corre o risco de regurgitar estilos e técnicas que as pessoas estão acostumadas a ver. Se você encontra suas inspirações em lugares inesperados — e varia suas inspirações de modo a não estar perto demais de qualquer fonte —, é mais fácil criar um trabalho único. Eu frequento museus e shows para ver todos os tipos de trabalho criativo, como moda, design de mobiliário, pintura, fotografia e escultura. Ouço música e converso com amigos.

 

VERSATILLE — O que foi 40 Days of Dating?

JESSICA — Foi um projeto que fiz com um grande amigo meu, Timothy Goodman. Fomos amigos por anos e sempre caçoá- vamos um do outro por nossos problemas de relacionamento e estilos, bem opostos. Queríamos explorar nossos hábitos e temores a fim de aprender mais sobre a natureza dos relacionamentos e amor. Decidimos fazer encontros um com o outro por 40 dias e registrar isso num diário sobre cada encontro. Gravamos nossas experiências diárias, criamos vídeos e fizemos ilustrações. Lançamos um blog, em 2013, onde se pode ler nossos registros diários aparecendo lado a lado. Desde o lançamento, mais de 25 milhões de pessoas visitaram o blog, e recebemos milhares de e-mails de pessoas do mundo todo. Algumas pessoas odiaram o projeto, mas muitas pessoas ficaram tocadas e sentiram que se relacionavam com as nossas experiências. Escrevemos um livro publicado pela Abrams Book. A opção para os direitos de filmagem foram para Warner Bros, que está trabalhando para fazer um filme baseado na nossa experiência.

 

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VERSATILLE — O que você aprendeu sobre relacionamentos em 40 Days of Dating?

JESSICA — A lição mais importante foi, simplesmente, ser eu mesma e não me preocupar tanto sobre encontros ou encontrar a pessoa certa. Dizem que você não pode perseguir o amor e talvez isso seja verdade. Durante o experimento, eu estava estressada sobre encontrar o cara certo. Estava trabalhando demais, não estava me cuidando e não estava gostando de nada disso. O experimento me ajudou a perceber que eu precisava apenas relaxar, ser eu mesma e não me preocupar tanto sobre os outros. Eu estava no melhor estado de espírito quando o experimento terminou. Coincidência ou não, quando parei de procurar a pessoa certa, acabei encontrando o amor da minha vida. Nos casamos recentemente.

 

VERSATILLE — Como foi que a sua relação de trabalho com David Byrne e Brian Eno, mudou com o passar dos anos?

STEFAN — Mudou bem drasticamente na medida em que não estamos mais fazendo trabalhos gráficos para música. Nós quase paramos de fazer o design para capas de álbuns depois do primeiro ano sabático em 2000 — havia, simplesmente, muitas outras coisas interessantes para o design e a música parou de ter o mesmo papel na minha vida quando me aproximava dos 40. O projeto Byrne/Eno, de 2008, foi uma exceção, já que a música era fantástica, o David sendo maravilhoso para trabalhar junto e, tendo sido massivamente influenciado pelo diário publicado de Brian, tive um desejo forte de encontrá-lo de novo.

 

VERSATILLE — Você começou sua carreira no campo da música. Isso influenciou o restante do seu trabalho?

STEFAN — Sim. A música tende a ser capaz de transportar emoções mais eficientemente do que qualquer outra forma de arte. Essa emocionalidade se tornou evasiva quando paramos de fazer design para a indústria da música. Então tentamos recapturar um pouco dela por meio de projetos pessoais.

 

VERSATILLE — Qual música você ouve atualmente?

STEFAN — Estou ouvindo música na maior parte comprada por causa das grandes capas. Isso inclui SBTRKT, FKA Twigs, Beach House, Darkside, Sufjan Stevens, Karen O, Washed Out e Gabriel Garzon Montano.

 

VERSATILLE — Qual é o seu projeto dos sonhos?

JESSICA — Nos Estados Unidos, interagimos, regularmente, com design ruim, tais como: sinalização de aeroporto, moeda, websites governamentais e formulários. Seria um trabalho dos sonhos trabalhar em projetos como esses que podem ter um impacto sobre as massas. Eu adoraria, especialmente, redesenhar a moeda dos Estados Unidos. É tão sem inspiração e interagimos com ela diariamente.

 

VERSATILLE — O que é o sucesso? É o aspecto financeiro? O sucesso é importante para você?

JESSICA — Sucesso é, claro, relativo às expectativas e aos objetivos de cada pessoa. Como humanos, somos induzidos pela natureza a procurar segurança, aceitação e amor. Alguns de nós encontrarão isso no dinheiro, outros, em uma carreira, outros, no amor ou casamento ou filhos, e, alguns outros, em amigos e família. Você poderia parecer “ter tudo” no olhar do mundo lá fora, e, mesmo assim, sentir-se constantemente insatisfeito, sempre querendo mais. Você pode ser pobre mas sentir que “tem tudo” porque tem uma família amorosa, um bom emprego, grandes amigos. Não importa, realmente, o muito ou o pouco que você tem, é um estado de espírito. Pessoalmente, para mim, sucesso significa ter opções. Significa chegar a um lugar em minha carreira, onde eu posso recusar um trabalho porque o cliente não tem o orçamento ou o calendário apropriado. Significa eu poder escolher como e quando gastar meu tempo. Significa que eu possa tirar um mês para explorar um projeto pessoal se eu quiser, sem preocupações financeiras.

 

Business por Humberto Rodrigues | Matéria publicada na edição 97 da Revista Versatille