TUNGA: o corpo em obras

ESTE É O TÍTULO DA EXPOSIÇÃO QUE O MASP, EM SÃO PAULO, DEDICARÁ A ESSE ARTISTA FUNDAMENTAL DA CENA BRASILEIRA A PARTIR DE DEZEMBRO. SERÃO EXIBIDAS CERCA DE 100 OBRAS, COM CURADORIA DE ISABELLA RJEILLE

ESTE É O TÍTULO DA EXPOSIÇÃO QUE O MASP, EM SÃO PAULO, DEDICARÁ A ESSE ARTISTA FUNDAMENTAL DA CENA BRASILEIRA A PARTIR DE DEZEMBRO. SERÃO EXIBIDAS CERCA DE 100 OBRAS, COM CURADORIA DE ISABELLA RJEILLE E TOMÁS TOLEDO

 

Literatura, filosofia e psicanálise, química e biologia e até mesmo a alquimia foram áreas do conhecimento refletidas na arte de Tunga (1952-2016). O escultor, desenhista e artista performático trazia em suas obras a relação entre esses campos e materiais como bronze, cobre, latão, madeira, papel, resina e borracha. Intrigante e potente são adjetivos interessantes para seu legado.

 

Dedicada a ele, que foi um nome emblemático da arte contemporânea brasileira, uma exposição monográfica será organizada pelo Museu de Arte de São Paulo – MASP ainda este ano. Intitulada Tunga: o corpo em obras, a mostra, com curadoria de Isabella Rjeille e Tomás Toledo, contará com cerca de 100 obras, entre instalações, objetos, desenhos e “instaurações” de diferentes épocas. A inauguração será em 14 de dezembro, e o encerramento, em 9 de março de 2018. Um catálogo será publicado na ocasião, com imagens das obras, textos dos curadores, ensaios inéditos de Marta Martins e Catherine Lampert, além da republicação de textos históricos sobre a obra do artista.

 

“Pode-se dizer que o corpo e questões relacionadas à sexualidade atravessam grande parte da produção de Tunga desde o início de sua carreira”, comentam Isabella Rjeille e Tomás Toledo. “Neste recorte curatorial, a sexualidade é compreendida de maneira expandida na obra do artista, não apenas como a capacidade de reprodução humana, mas como uma forma de estabelecer e desenvolver relações, vínculos, transformações e criações entre corpos, seres, matérias e linguagens. Nas obras selecionadas para a exposição, o corpo é entendido como um meio em obras, ou seja, capaz de se transformar ao entrar em contato com outros corpos, uma estrutura permeável. Este pensamento fica evidente em seus desenhos eróticos e em suas esculturas morfológicas, nos quais é possível identificar um corpo híbrido, por vezes feminino e masculino, simultaneamente, em constante transformação.”

 

Clique nas imagens para ampliar

 

Quanto à montagem da exposição, os curadores esclarecem que “as obras não serão divididas em núcleos temáticos estanques e rígidos, mas de forma a estabelecer um diálogo e um ‘contágio’ entre trabalhos de diferentes épocas e materiais, propondo novas leituras. Esta exposição abrange obras da década de 1980 até os anos 2000, nas quais é possível notar a permanência de certos assuntos no decorrer da produção de Tunga, como as tranças, pentes, tacapes, objetos morfológicos e desenhos eróticos; assim como uma diversidade de materiais, da madeira ao cobre, da borracha à cerâmica, da aquarela à maquiagem.”

 

Antônio José de Barros Carvalho e Mello Mourão, conhecido como  Tunga,  foi o primeiro artista contemporâneo e o primeiro brasileiro a ter uma obra exposta no Museu do Louvre,  em  Paris. Obras suas estão em acervos permanentes de museus como o Guggenheim de Veneza, além de o Instituto Inhotim, em Brumadinho, Minas Gerais. Nascido em  Palmares,  Pernambuco, Tunga mudou-se para o Rio de Janeiro, onde cursou arquitetura e urbanismo. O filho do escritor Gerardo de Mello Mourão iniciou a carreira no começo dos anos 1970.

 

TUNGA: o corpo em obras faz parte do programa anual de 2017 do MASP, cujo tema é a sexualidade e que conta com exposições individuais das artistas Teresinha Soares, Wanda Pimentel, Tracey Moffatt, Guerrilla Girls e dos artistas Miguel Rio Branco e Toulouse-Lautrec; além de uma exposição coletiva, Histórias da sexualidade, seminários e oficinas em torno do assunto. “Por agenciar diferentes campos do conhecimento, a produção de Tunga amplia as discussões sobre sexualidade, costurando estas distintas áreas e levantando questões sobre o erotismo, desejo, corpos e materialidades”, afirmam os curadores. “Nesse sentido, a individual de Tunga estabelece uma fricção com as demais mostras apresentadas pelo MASP, que tratam deste tema por outras linguagens: como o erotismo na pintura de Pedro Correia de Araújo, a prostituição no Pelourinho, na década de 1970, na fotografia de Miguel Rio Branco, o lesbianismo e a prostituição em Paris, no final do século 19, na pintura e desenho de Toulouse-Lautrec, e, por fim, a pintura de Wanda Pimentel e Teresinha Soares, com abordagens feministas, e a produção gráfica e ativista do coletivo Guerrilla Girls.

 

Tunga: o Corpo em Obras. De 14 de dezembro de 2017 a 9 de março de 2018. Museu de Arte de São Paulo

 

EXPOSIÇÃO por Bob JR. | Matéria publicada na edição 100 da Revista Versatille