Uma mulher super poderosa

Juliana Nunes é uma pessoa com objetivos e prioridades profissionais que segue há tempos. Entres eles estão a busca de práticas que promovam o desenvolvimento social, ambiental e econômico. Não à toa, é reconhecida e

Juliana Nunes é uma pessoa com objetivos e prioridades profissionais que segue há tempos. Entres eles estão a busca de práticas que promovam o desenvolvimento social, ambiental e econômico. Não à toa, é reconhecida e bem-sucedida no que faz

 

Executiva, mãe e esposa. Essa é Juliana Nunes, primeira mulher a presidir a Associação Brasileira de Anunciantes (ABA) em mais de 50 anos de fundação. Formada em Engenharia de Alimentos, ela é responsável também pela vice-presidência de assuntos corporativos, sustentabilidade e compliance da Brasil Kirin, braço da japonesa Kirin Holdings Company, que adquiriu, em 2011, o controle da fábrica de bebidas Schincariol, fundada em 1939, na cidade de Itu, interior de São Paulo, e hoje é uma das principais empresas do setor no país.

 

Com uma rotina corrida e atarefada, Juliana se desdobra para poder harmonizar a vida profissional e pessoal. “Conciliar tudo o que precisamos e queremos fazer é sempre um quebra cabeça e tanto”, diz. “Passar o tempo livre com minha família é meu maior prazer e — quando há identificação de valores e realização no que fazemos — tudo fica mais fácil.” Confira, a seguir, o bate-papo que Versatille teve com a executiva.

 

 VERSATILLE —Você assumiu a presidência da ABA no início de 2016. Quais os desafios que tem encontrado desde então? Está mais complicado que o imaginado?

JULIANA NUNES — O trabalho na ABA é recompensador. Hoje, vemos que o mundo e a sociedade em geral estão mudando, inovando e passando por grandes transformações. O desafio é se reinventar e é o que a ABA faz, mantendo a conexão com essas mudanças e transformações que estão acontecendo numa velocidade incrível, refletindo isso no marketing e na comunicação.

 

VERSATILLE —Desde sua fundação, em 1959, a ABA sempre contou com homens no comando. Até que ponto entrar para a história da entidade como a primeira mulher a presidi-la colaborou para aceitar o convite? É o maior desafio da sua carreira?

JULIANA — Certamente é uma enorme honra presidir a ABA, associação que tanto admiro. Sendo a primeira mulher, então, a responsabilidade fica ainda maior. Atuo na associação desde 2005, quando criamos o Comitê de Relações Governamentais. Desde então, tenho aprendido muito, uma vez que se trata de uma área que se relaciona com  temas multissetoriais o tempo todo.

 

VERSATILLE —A chegada de uma mulher à presidência da ABA reflete uma tendência bastante discutida no mercado: o “empoderamento feminino”. O que você pensa sobre isso?

 JULIANA — Trazer esse tema a ABA é conectar ainda mais a associação às mudanças que temos acompanhado na sociedade, não perdendo de vista as tendências que virão.  Um exemplo disso é a recente parceria da ABA com a Rede de Mulheres Brasileiras Líderes pela Sustentabilidade, da qual tenho a alegria de participar desde que foi criada e, atualmente, como membro do Conselho.  Lançamos a pesquisa “Produzir, consumir, viver e imaginar: novos padrões de uso sustentável do tempo”, que tem como um dos objetivos relacionar as formas de consumo e uso do tempo à qualidade de vida em nossa sociedade atual, levantando uma série de questões tais como a falta de tempo, o tempo acelerado, a multiplicação de demandas e tarefas no dia a dia, a invasão do trabalho por meio da conexão no espaço doméstico ou privado — que deixam as pessoas esgotadas e incapazes de realizar escolhas mais sustentáveis e afinadas com suas aspirações, ou mais aderente ao projeto de uma sociedade mais sustentável.  Outro objetivo da pesquisa é identificar iniciativas e ações em curso em instituições, empresas, governos e movimentos por melhor qualidade de vida que possam constituir um repertório de soluções passíveis de ser implementadas.

 

VERSATILLE — Nos dias de hoje, em que as pessoas têm à disposição inúmeras maneiras e plataformas para consumir conteúdo, como fazer para ser relevante e antecipar as demandas do consumidor? Existe algum segredo?

 JULIANA — Sem dúvida, antecipar as demandas da sociedade é sempre o maior desafio e ao mesmo tempo o principal diferencial. O segredo, que não é segredo, é estar conectado com todos os movimentos da nossa sociedade, cada vez mais rápida e dinâmica.

 

VERSATILLE — O Brasil atravessa um período difícil em termos econômicos e políticos. Qual deve ser a postura do anunciante em tempos de crise?

JULIANA — Desafios podem ser vistos como oportunidades para mudanças e inovação. E essa é a proposta da ABA para seus associados e públicos de relacionamento: Marketing para Transformar.

 

VERSATILLE — Além da ABA, você também é vice-presidente de Assuntos Corporativos, Sustentabilidade, RH e Compliance da Brasil Kirin. Como faz para conciliar as agendas?

 JULIANA — É uma tarefa e tanto, razão pela qual fiquei tão feliz com a coincidência da realização da pesquisa sobre a gestão do tempo pela Rede de Mulheres. Mas acho que, além do compartilhar, ser multitarefas é uma característica muito das mulheres. Isto é, a família tem que participar sempre das decisões profissionais, além das pessoais, claro.

 

VERSATILLE — A Brasil Kirin iniciou suas atividades no país em 2011, quando a japonesa Kirin Holdings Company adquiriu o controle acionário da Schincariol. Quais as principais mudanças que aconteceram durante essa transição? E quais os objetivos a serem alcançados a médio e longo prazo?

JULIANA — Desde a chegada da Kirin Holdings, a empresa vem passando por uma grande transformação, que vai do próprio nome “Brasil Kirin” e posicionamento institucional “Viva sua sede”. Passa, também, por uma transformação cultural interna, fundamental  para seguir com o plano estratégico de médio prazo da companhia, que foca esforços em construção de marca, otimização de recursos e fortalecimento da rede de distribuição, que serve como base do nosso negócio.

 

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VERSATILLE — Ações de sustentabilidade ganham cada vez mais relevância no planejamento estratégico das indústrias. Apesar da dificuldade de quantificar os ganhos, como você enxerga essas investidas e o retorno desses investimentos?

JULIANA — De fato as empresas ainda encontram dificuldade em mensurar os ganhos de ações de sustentabilidade, mas temos alguns indicadores que demonstram que estamos no caminho certo. Atualmente, a Brasil Kirin está entre as Melhores Empresas para Trabalhar, segundo a revista Época/GPTW (Great Place to Work®) e pelo ranking da Revista Você S/A, ambas em 2014, 2015 e 2016. Em sustentabilidade, foi considerada destaque em Governança Corporativa pelo Guia Exame 2014, além de estar entre as empresas mais sustentáveis do país desde 2013, incluindo o Guia deste ano que acaba de ser publicado. Temos diversas iniciativas, de médio e longo prazo, que são modelos de  boas práticas: o projeto piloto de micro distribuidores, por exemplo, uma iniciativa de valor compartilhado em que a comunidade conta com mais uma oportunidade de geração de emprego e renda local. Os pontos de venda locais passam a ter um atendimento exclusivo, facilitando e agilizando o comércio local e ampliando também a presença de nossos produtos. Outro exemplo é a parceria com a SOS Mata Atlântica, desde 2007,  que visa a gestão sustentável dos recursos hídricos. Desde o início, mais de 4  milhões de mudas já foram produzidas, de mais de 110 espécies de plantas, e 315 hectares de área restaurados, o que permitiu o afloramento de 19 nascentes de água na fazenda localizada na região de Itu. Nessa área já constatamos um aumento de cerca de 5% no nível da água superficial e 20% no nível da água subterrânea, graças à cobertura vegetal.

 

VERSATILLE — A Brasil Kirin é muito lembrada pelo time de vôlei, vice-campeão da Superliga Masculina e da Copa do Brasil. Como e empresa avalia esse projeto? Existem planos para novas parcerias com outras modalidades esportivas?

JULIANA — A Brasil Kirin é patrocinadora do projeto Vôlei Brasil Kirin desde a temporada 2013-2014, incluindo o time profissional de Campinas, o time de base e, em parceria com o Instituto Compartilhar, os núcleos sociais nas cidades de Campinas e Itu. O trabalho em rede consolida a sustentabilidade de longo prazo do projeto, que se mostra como importante ferramenta de marketing, criando oportunidade de negócio por meio do esporte de alto rendimento. Além disso, pelo nosso projeto social, o esporte se apresenta como uma ferramenta efetiva de educação para mais de 600 crianças com idade entre 8 e 14 anos e dá oportunidade para cerca de 40 jovens, com idade entre 15 e 20 anos, de se tornarem atletas profissionais. Atualmente, a Brasil Kirin, com suas marcas de produto, já apoia outras modalidades esportivas como o futebol, patrocínio de Viva Schin a também campineira Ponte Preta, e o automobilismo, onde estamos presentes há cinco anos e desde o início desta temporada com a marca de cerveja especial Eisenbahn.

 

VERSATILLE — Você é formada em engenharia de alimentos. Como foi parar na área de marketing?

JULIANA — Desde o início da minha carreira tive oportunidade de conhecer várias áreas e, como sempre gostei de desafios, trabalhei em diversos setores. Em determinado momento, recebi o convite para trabalhar com Marketing Institucional, que se relaciona direto com criação de valor compartilhado, parcerias, etc…

 

VERSATILLE — Você é uma pessoa bem-sucedida e reconhecida em sua área de atuação. Como concilia a vida corrida e os compromissos de executiva com o lado familiar? Sobra tempo para atender essas necessidades? Existe uma cobrança pessoal para haver um equilíbrio entre esses dois pontos?

JULIANA — Conciliar tudo o que precisamos e queremos fazer é sempre um quebra cabeça e tanto. Mas quando há identificação de valores e realização no que fazemos, tudo fica mais fácil. Certamente o apoio, parceria e participação do meu marido desde o início da minha carreira foram e são fundamentais para que tudo isso seja possível. A cobrança sempre existe dos dois lados, profissional e pessoal, minha e dos outros. Mas tem o lado bom nisso: você fica sempre muito atenta para manter o equilíbrio profissional e pessoal. E valorizar atividades simples do dia a dia, como ter pelo menos uma refeição em família, faz uma diferença e tanto.

 

VERSATILLE — O que você gosta de fazer quando não esta trabalhando? Tem algum hobby?

JULIANA — Passar o tempo livre com minha família, sem ter horário, é meu maior prazer.

 

VERSATILLE — O ano de 2017 chega trazendo uma infinidade de expectativas a todas as pessoas, tanto no lado profissional quanto no pessoal. O que espera para a vida neste ano novo?

JULIANA — À frente da área de Assuntos Corporativos, DHO, Sustentabilidade e Compliance da Brasil Kirin, para 2017, posso contar que teremos diversas novidades com nossas marcas, campanhas, eventos superbacanas e já reconhecidos pelo nosso público. Tenho certeza que será um ano incrível para a empresa! Já na ABA, dentre várias novidades, teremos nossos eventos em  2017, incluindo alguns regionais. Avaliaremos também a possibilidade de formar o  décimo comitê da associação, de Millennials e Melhor Idade. Um comitê que terá como espelho esses jovens, que são conectados 24 horas por dia, e têm na internet sua principal plataforma de comunicação. Assim como o novo padrão de comportamento do público de melhor idade. Como mulher, mãe e esposa espero que 2017 seja um ano de compartilhar… Compartilhar o amor, a paz, a esperança, o sucesso com todos. E que as pessoas estejam mais confiantes na construção e na colaboração para uma sociedade evoluída!

 

Business por Marcelo Wysocki | Matéria publicada na edição 95 da Revista Versatille